segunda-feira, setembro 24, 2007

CIDADANIA

Com muita freqüência, ouço em palestras, conferências ou mesmo em papos entre amigos as frases, “resgatar cidadania ou resgate de cidadania”, não aceito as mesmas, e na última vez que as ouvi, fiz ressalva. Foi por ocasião da nossa Semana Jurídica, na Faculdade, o palestrante, Dr Guilherme Roberto Viana Filho, tratava da questão da Aids, e fazia citações ao Manual de Práticas Jurídicas em HIV/Aids, e ao explana-lo saiu a frase.
As razões que me faz discordar, passa diretamente pela questão da própria cidadania, lembro-me que ao ser aberto a fase de perguntas, indaguei ao palestrante, “em que momento da história o brasileiro teve cidadania plena?” O mesmo argumentou a Constituição Federal de 1988, e mais algumas normas positivadas que imperiosamente tratam do assunto.
Ocorre que no meu entendimento cidadania é algo que se adquire através da conquista, e lamentavelmente tenho assistido uma sociedade ansiosa por uma cidadania imposta por força de Lei, o que no meu entendimento é pura utopia.
Para facilitar meu ponto de vista vou relatar fatos que me faz entender que a cidadania que a sociedade almeja é inconquistável.
Este tão sonhado atributo, que eu nunca tive, está sempre sendo alvo do desejo dos outros, e vejo sendo roubadas todas as possibilidades de atingi-la, senão vejamos: Constante e insistentemente vejo o alcaide municipal investir no seu intento de derrubar a arborização da 25 de setembro para transformá-la num grande eixo de escoamento de veículos. Da mesma forma vejo meia dúzia de moradores do conjunto do Basa, querer para si a pose de um bem que é meu, e que é de todos, já que aquela área é pública, em nome de uma segurança que eles não têm.
Sei que muitos ao lerem este artigo, vão achar no mínimo estupidez da minha parte pensar assim, e eu por minha vez, não os acharei estúpidos de um todo, e digo isso porque conheço um pouco da história, e sei que o imaginário coletivo desta sociedade é todo sedimentado nos pensamentos burguezes do século retrazado.
Quando a burguesia européia construiu o Estado, quem menos tinha importância era o ser humano, apesar da aparente preocupação com o ser, eles estavam mais preocupados em priorizar a máquina, a tecnologia.
Estou escrevendo este artigo, porque hoje participei de uma discussão em que vi a extensão deste pensamento tentando se perpetuar em nós, de forma paradigmal, sem a menor reflexão lógica.
E então eu dizia para o meu interlocutor, que defendia a abertura da 25 de setembro, “está bem quer dizer que eu tenho que privilegiar a máquina, os carros, em detrimento de mim, que necessito do verde e da segurança que aquela via dá a quem por ela transita, quer seja pedestre quer seja o condutor, bem como tenho que dar aos moradores do conjunto Basa o meu direito de ir e vir?”, na verdade ele nunca tinha parado para refletir que é a cidadania dele que está sendo pisoteada, aviltada mesmo, no momento em que ela é postergada em favor da máquina, e que são essas atitudes, e que sempre parte das classes que dirigem, que inviabilizam não o resgate, mas a construção da tão sonhada cidadania.


4 comentários:

Andreia do Flautim disse...

às vezes há injustiças!

Bom domingo!

as-nunes disse...

Ena Xico
Ainda agora acabei de escrever sobre este tema num comentário do blogue do Tozé.
A verdade é que, de facto, continuamos a deixar que as ditas "autoridades" projectem a seu bel-prazer a nossa maneira de levar a nossa própria vida. Desenham os caminhos dos nossos passos, as sombras/sol dos nossos descansos ou encontros. Sempre em nome do progresso material (de alguns, poucos, quanto menos melhor).
Então e o Homem? Quando +e que passamos a dar prioridade àquilo que realmente desejamos venha a ser o meio em que queremos viver? Não temos direito a viver integrados na Natureza? Então?
Estamos a deixar que nos encaixotem, caladinhos, quietinhos, a ocupar o mínimo espaço possível, que espaço é dinheiro.
Queremos VIVER ou nadar em dinheiro?!
Um abraço, Xico, precisamos da Força da União para lutar contra estes malucos que nem sequer se apercebem que estão a dar cabo da sua própria vida?!
António

Xico Rocha disse...

Caro amigo Antonio, certamente partilhamos dos mesmos anseios de liberdade, dignidade, respeito e outros tantos que nos possibilitam a cidadania.
Unamos forças.
Xico Rocha

Xico Rocha disse...

Querida Andreia, no meu Continente ocorre quase que geralmente.
Xico Rocha.
Bom domingo.